Blue moon
Técnica mista, 202530 cm
Blue moon é uma lua construída como objeto: o centro claro, em relevo, parece “sair” do disco e ganhar presença tátil, enquanto anéis de azul profundo giram ao redor como um céu em rotação lenta. Pintada sobre um vinil e modelada com cerâmica fria, a peça transforma música em superfície e noite em matéria — uma lua recorrente que, aqui, não ilumina ao longe: ela acontece bem na frente do olhar.
Em Blue moon, Leo DuLac toma um suporte carregado de memória — o disco de vinil — e o converte em paisagem. O círculo não é apenas formato: é órbita, é retorno, é insistência. A lua (tema recorrente em sua produção) reaparece aqui como imagem e como presença física, encenando um encontro entre pintura e objeto.
A superfície trabalha em camadas: a cerâmica fria modelada cria o corpo lunar em relevo, e a pintura acrílica costura a atmosfera ao redor em variações de azul, do cobalto ao quase-negro. O gesto visível das pinceladas dá ao “céu” uma vibração de maré noturna — um giro denso, quase meteorológico — enquanto o centro claro concentra silêncio e peso.
Há uma inversão interessante: o vinil, pensado para tocar o ar com som, passa a tocar o olhar com volume. A obra se aproxima de um baixo-relevo pictórico, onde luz e sombra não são só cor, mas resultado do próprio relevo. Assim, a lua deixa de ser distância e vira matéria: uma presença que parece pedir que a gente chegue mais perto para “ler” com os olhos e com a pele.
Com 30 cm de diâmetro (2025), Blue moon funciona como um pequeno portal circular — uma noite compacta, portátil — e reafirma a pesquisa do artista em técnica mista: pintura, modelagem e suporte cotidiano se fundem para produzir um ícone íntimo, ao mesmo tempo popular e ritual. Assinada no verso, a peça preserva o caráter de objeto único.















