Saci fugindo da garrafa

Óleo sobre tela, 2022
30 x 40 cm
R$ 340,00_____Adicionar ao carrinho

Em Saci fugindo da garrafa, o mito não é “ilustrado”: ele acontece. O Saci explode do confinamento em arco, como um cometa de carne e fumaça atravessando a noite. O gorro vira rastro, a brasa do cachimbo vira farol, e a lua assiste — cúmplice — ao instante em que a travessura se transforma em liberdade.

Obra original assinada pelo artista frente e verso, já montada em chassis de madeira. Caso deseje moldura, entre em contato.

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Há imagens que nascem de uma pergunta simples: como se pinta a fuga? Aqui, a resposta vem em forma de curva. O corpo do Saci não caminha; ele se desprende, lançado para fora da garrafa como se o ar fosse um rio. O gesto é rápido, mas a pintura segura o tempo no ponto exato em que a lenda volta a respirar.

A garrafa aparece como signo de captura — um “recipiente” para aquilo que, por natureza, não cabe. O folclore brasileiro costuma narrar a prisão do Saci como artimanha humana, uma tentativa de domesticar o indomável. Nesta tela, a garrafa perde o controle: torna-se apenas o vestígio de um erro. O personagem escapa com o olhar aceso, como quem já planejava a saída desde antes de ser fechado lá dentro.

Formalmente, a composição se organiza em espiral: gorro, corpo, fumaça e luz desenham um fluxo contínuo, quase caligráfico. A paleta concentra a noite em negros profundos, enquanto um amarelo incandescente envolve o Saci como aura de movimento — uma iluminação que não vem de fora, mas do próprio ato de fugir.

Ao escolher o Saci sob o luar, Leo DuLac recoloca o mito num presente vivo: não como nostalgia, mas como energia. A figura do trapaceiro protetor, do riso que desarma o medo, aparece como um comentário visual sobre tudo aquilo que tentamos aprisionar — desejo, imaginação, impulso, alegria — e que inevitavelmente encontra uma brecha.

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