São Francisco zen
Óleo sobre tela, 202622 cm
Em silêncio profundo, Francisco de Assis medita em formato de tondo — o círculo perfeito que, desde o Renascimento, evoca completude e eternidade. Envolto em verde vivo e auréola solar, o santo repousa entre pombas, numa serenidade que transcende qualquer tradição religiosa.
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Em São Francisco zen, Leo DuLac retoma um de seus temas mais íntimos — o encontro entre espiritualidade franciscana e quietude oriental — desta vez inscrito no formato tondo, o círculo que em si já é símbolo: da totalidade, do cosmos, do eterno retorno. A escolha do suporte não é decorativa; é conceitual. Francisco não está apenas numa tela redonda — está contido no mandala.
O santo senta-se com as pernas cruzadas, as mãos recolhidas, os olhos fechados. Pombas brancas pousam sobre seus joelhos e ombros com a naturalidade de quem encontra em alguém um pedaço de floresta. O verde que domina o fundo não é apenas paisagem — é presença, é campo de força, é a respiração do mundo visível ao redor de quem aprendeu a escutar.
A auréola em amarelo ouro não flutua sobre a cabeça como insígnia eclesiástica: irradia do corpo inteiro, como calor, como luz própria. DuLac pinta a santidade não como distinção, mas como dissolução — Francisco se funde à natureza porque não se distingue dela. É essa fusão que o título nomeia com precisão poética: zen, não como importação de vocabulário budista, mas como estado — o de quem está completamente onde está.








