Cramulhão
Massa epóxi, 202416 cm
Cramulhão é um diabinho de bolso — pequeno no tamanho, grande na presença. Com o tridente em punho e um ar entre travesso e ameaçador, a figura mistura humor e assombro: a iconografia do “demo” atravessada pelo artesanato, pelo brinquedo e pelo folclore. A pintura acrílica acende volumes e sombras na massa epóxi, criando um personagem que parece ter escapado de um conto contado à meia-luz.
Escultura original, peça única, assinada pelo artista na base.
Veja também: folclore
Em Cramulhão, Leo DuLac condensa o imaginário do diabo em escala íntima: uma criatura pequena o bastante para caber na mão, mas carregada de teatralidade. O tridente e o sorriso insinuado não são apenas símbolos — funcionam como sinais cênicos, quase caricaturais, que equilibram o riso e o arrepio. A obra opera nesse limite: o “mal” como figura de narrativa, travessura e medo ancestral.
Modelada em massa epóxi e finalizada com tinta acrílica, a escultura assume um acabamento vivo, com contrastes que enfatizam gestos e volumes. A cor não é só revestimento: ela dramatiza o corpo, marca planos, sugere calor e sombra, e dá ao personagem uma energia de presença — como se ele estivesse prestes a se mexer, responder, provocar.
A peça conversa diretamente com o folclore brasileiro e com a tradição popular de nomear o indizível: “cramulhão”, “capeta”, “coisa-ruim”. Aqui, esses nomes viram forma e matéria, sem moralismo: o diabinho não é sermão, é personagem. Um ícone doméstico do fantástico, um amuleto invertido que brinca com superstição e imaginação.
Peça única, assinada, com 16 cm de altura, Cramulhão integra o conjunto de esculturas do artista que revisitam mitos e criaturas como presença contemporânea — não como passado ilustrado, mas como linguagem viva.




















