Asilo Harkam para Músicos Insanos

Lançamento: 12 de dezembro de 2006

Álbum em parceria com Le Cavalleiro

Faixas:

1. Sejam bem-vindos ao asilo
2. Terezinha canta um blues
3. Anunziô Zumbi
4. Teoria da loucura
5. Ode à loucura
6. A vida como ela é / Sete horas e tudo bem
7. Tudo vai muito bem (No planeta Terra)
8. Apenas um dia ruim
9. A corja
10. Got to get you baby
11. Lado B
12. Quatro buldogues vigiando o portão
13. Dozedê Didi
14. Por que eu devo?
15. Lamento de vampiro
16. Que piada de mau gosto!
17. I got a blues feeling about this
18. Vovó já vai
19. Para-noia-para
20. Tinha dois caras no hospício

Gravado entre 2001 e 2006

Leo DuLac: vocal, programações, vocais de apoio
Le Cavalleiro: guitarra, violão, programações, vocais de apoio

Todas as composições por Leo DuLac e Le Cavalleiro, exceto:
“A vida como ela é / Sete horas e tudo bem”, “Got to get you baby” e as vinhetas “Sejam bem-vindos ao asilo”, “Teoria da loucura”, “Apenas um dia ruim”, “Lado B” e “Que piada de mau gosto!”: Leo DuLac;
“Por que eu devo?”, Le Cavalleiro;
“Lamento de vampiro”, Leo DuLac e Le Cavalleiro, letra de Vlad Dracula;
“Terezinha canta um blues”, Leo DuLac e Le Cavalleiro com trechos de domínio público;
“Vovó já vai”, Leo DuLac com trechos de domínio público;

“Apenas um dia ruim”, “Que piada de mau gosto!” e “Tinha dois caras no hospício” foram inspiradas em textos de Alan Moore.

1. Sejam bem-vindos ao Asilo
(vinheta)

Sejam bem-vindos ao Asilo
Deixe a sua sanidade na entrada

2. Terezinha canta um blues

Terezinha canta um blues
De uma queda foi ao chão
Acudiu três cavalheiros
Todos três, chapéu na mão

O primeiro foi seu pai
O segundo, seu irmão
O terceiro foi aquele
Que Tereza deu a mão

Tereza, sublime criação da natureza
Tereza, sublime criação da natureza

Da laranja, quero um gomo
Do limão, quero um pedaço
De Tereza, a mais linda,
Quero um beijo e um abraço

3. Anunziô Zumbi

Antigo cântico afro-brasileiro de evocação de espíritos para a batalha em uma língua perdida no tempo

(Ou não)

4. Teoria da loucura
(vinheta)

Quem é maluco e quem é normal é tudo uma questão de maioria e minoria: se a maioria fosse maluca e a minoria fosse normal, os normais seriam malucos e os malucos seriam normais.

5. Ode à loucura

Essa manhã resolvi não trabalhar
Fiquei sem roupa e fui pra rua pular
Homens vieram, me acusaram de atentar
Contra o pudor, eu só fiz gargalhar

Ah, não, não quero mais ser comum
Me casar ter filhos então bum!
Então eu resolvi enlouquecer de vez
É bem melhor do que ser igual a vocês

Me amarraram e jogaram num hospital
Só porque eu já não sou igual
Se todos fossem como eu, com certeza
Os normais é que seriam malucos beleza

Ah, não, não quero mais ser comum
Me casar ter filhos então bum!
Então eu resolvi enlouquecer de vez
É bem melhor do que ser igual a vocês

Ah, não, não me olhe como eu fosse um louco qualquer
É mais difícil ser louco que manter a fé
Eu sou louco e faço o que bem quiser
Eu sou louco e faço o que bem quiser
Loucura é viver a vida como ela é
Loucura é viver a vida como ela é
Mas loucura é viver a vida como ela é
E loucura é viver a vida como ela é

6. A vida como ela é / Sete horas e tudo bem

A vida como ela é
A vida como ela é
Eu não consigo mais viver
A vida como ela é
Como posso aguentar
A vida como ela é
Tudo é sempre igual e
A vida é como ela é
Tudo tão normal
Na vida como ela é
Por que não ser diferente?
A vida como ela é
Tentar mudar
A vida como ela é
Pois essa vida
A vida como ela é
Não é como ela é, mas
A vida como ela está
Ela pode, ela deve mudar
A vida que você conhece 
Não é a vida que eu conheço
A vida como ela é
A vida como ela é
Não é a vida como ela é
A vida como ela é
Não é a vida como ela é
A vida como ela é
Não é a vida como ela é
Mas a vida como ela está
A vida como ela está
A vida como ela está

Sete horas e tudo bem
Sete horas e tudo bem

Sete horas e está tudo bem

Acordar e se vestir
Tomar o seu café
Escovar os dentes
Pegar sua condução
Assinar o ponto, igual
Sempre no mesmo posto
Encarar o patrão de todo dia
Ganhar o pão de sua família
Com o suor do rosto
Voltar ao seu lar normal
Assistir televisão
Esvaziar sua mente
Rezar, mantendo a fé
Botar pijama e dormir

Sete horas e tudo bem
Sete horas e tudo bem
Sete horas e tudo sereno
Sete horas e tudo bem
E tudo vai muito bem

7. Tudo vai muito bem (No planeta Terra)

Tudo vai muito bem no planeta Terra
Tudo vai muito bem no planeta Terra

Olhai nos shoppings as belas vitrines pra se comprar
Na internet tem bate-papo pra se encontrar
Tem tanta coisa pra fazer, tanto pra se ver e olhar
Mas eu não encontro nada que te faça pensar

Tudo vai muito bem no planeta Terra
Tudo vai muito bem no planeta Terra

Olhai pessoas e carros rodando com tanta pressa
Minha insatisfação no peito, eu não tou nessa
É insuportável, não tenho nada a ver, tanta dor
Passo meus olhos no céu esperando um disco voador

Tudo vai muito bem no planeta Terra
Tudo vai muito bem no planeta Terra

Se todo dia eu levanto, me visto e vou trabalhar
É como se eu me matasse, a cada dia a me anular
Olho pros outros serei o único a queimar o peito
E ter tais pensamentos a me atormentar no leito?

Tudo vai muito bem no planeta Terra
Tudo vai muito bem no planeta Terra

8. Apenas um dia ruim
(vinheta)

Só é preciso um dia ruim
Para reduzir o mais são dos homens a um lunático
Um dia ruim
Essa é a distância entre o mundo e um louco
Apenas um dia ruim
Um dia ruim
Apenas um dia ruim

9. A corja

Hoje eu fui pra janela só pra espiar
Essa maldita corja a desfilar
Em carros do ano, sorrisos plásticos
A paciência do povo não é elástico
Parecem felizes, eu sei que não são
Pois em suas cabeças pesa a maldição

Vocês moldam a verdade como quiser
Ensinam os pobres a manter a fé
Uma multidão morre de fome
E não tem o filé que o seu cão come
Quem tem muito sempre quer ter mais
Quem não tem nada pouco já satisfaz

O país cresce com trabalho escravo
Vocês sorriem entre rosas e cravos
De noite descansam a cabeça no travesseiro
Mas quando um santo forte baixar no terreiro
E a diversão do carnaval em vez de desfilar
Será escolher o próximo rico para assassinar

Eparrê, minha mãe!
Ogunhê!
Vovó já vem, já vem de Aruanda
Vovó já vem, já vem de Aruanda
Vovó já vem, já vem de Aruanda
Vovó já vem, já vem de Aruanda

Entendam que
A corja tem a força mas é pequena
O povo não tem fogo mas em cena
Pode ser o diretor em vez de figurante
Quando em fúria se fizer o levante
Milhões de bocas já sem comida
Pedirão de volta o que deram em vida

Arrerrê, arrerrê mamãe Oxum
Arrerrê, arrerrê mamãe Oxum
Arrerrê, Oxumaré

10. Got to get you baby

Got to get you, baby
Don’t wanna hear maybe
Got to get you, baby
Don’t wanna hear maybe
So come on, come on
Got to get you, baby

I want you to come into my life
I want to turn you into my wife
Cause you’re the prettiest girl I’ve ever seen
You’re beautiful, you’re mine and you’re seventeen
And you know what I mean

Got to get you, baby
Don’t wanna hear maybe
Got to get you, baby
Don’t wanna hear maybe
So come on, come on
Got to get you, baby

I want you to come into my life
I want to turn you into my wife
Cause you’re the prettiest girl I’ve ever seen
You’re beautiful, you’re sexy and you’re seventeen
And you know what I mean

You know that you’re my baby
And I don’t mean maybe
You know that you’re my baby
And I don’t mean maybe
So come on, come on
Got to get you, baby

Got to get you

11. Lado B
(vinheta)

Se isso fosse um LP
Aqui começaria o lado B

12. Quatro buldogues vigiando o portão

Eu só acredito em quem pulou o cercado
A cerca viva de arame farpado
Vidros de veneno, eletrificado
Quem é corajoso, meu irmão
Quatro buldogues vigiando o portão
Quatro buldogues vigiando o portão
(Cuidado aí, meu caro)

Lá fora tem um monstro olhando você
Quem é diferente pode até morrer
É bem mais fácil ficar sentado
Mas quem sabe o que tem do outro lado
Poucos sabem, vislumbraram o clarão
Quatro buldogues vigiando o portão
(Olha pra cima, que o chão é lugar de cuspir)

Se você tem coragem, comigo vem se juntar
Vamos ver quem consegue o muro pular
A grande questão é somente tentar
Teremos força até pra derrubar
Um mundo lindo surgirá então
Quatro buldogues vigiando o portão
(Cave canem, meu filho)

Quatro buldogues
Vigiando o meu portão

13. Dozedê Didi

(instrumental)

14. Por que eu devo?

Garota, você foi tudo pra mim
E te esquecer será ruim
Mas tudo que começa tem um fim
Ooh, eu sei

Tudo bem, eu fiz por onde
Mas por que você foi tão longe?
Negastes teu passado ontem
Ooh, eu sei

Nós podíamos ter tentado mais
Eu sei que a gente seria capaz
As saudades não somem jamais
Ooh, eu sei

Por que eu devo te esquecer?
Baby, eu sei que vou sofrer
Mas por que eu devo te esquecer
Baby, se você me fez viver?

Eu tentei de você me afastar
Mas aquilo era de amargar
Não consegui me acalmar
Ooh, eu sei

Da minha mente você não saiu
Minha vida inteira caiu
Quando seu olhar partiu
Ooh, eu sei

Você diz, aqueles sentimentos
Foram embora com o vento
Eles não voltam mais, lamento
Ooh, não sei

Por que eu devo te esquecer?
Baby, eu sei que vou sofrer
Mas por que eu devo te esquecer
Baby, se você me fez viver?

Você diz, tem saudades grandes
Do tempo em que éramos amantes
Não sei o que dizer nesse instante
Ooh, não sei

Eu não quero acreditar
Mas quero ao seu lado de volta estar
Será possível te reconquistar?
Ooh, não sei

Eu me lembro de suas promessas
Nossa história seria eterna
Pensei que você estivesse certa
Ooh, eu sei

Por que eu devo te esquecer?
Baby, eu sei que vou sofrer
Mas por que eu devo te esquecer
Baby, se você me fez viver?

Agora eu fico louco pela estrada
Esperando a sua chegada
Que não sei se vai ser realizada
Ooh, não sei
Ooh, não sei
Ooh, não sei, não

Por que eu devo? Se minhas esperanças não são como seus sentimentos. Elas são eternas, eu sei

15. Lamento de vampiro

Ajuda-me a encontrar 
meu próprio caminho ao luar.
Sou mais desamparado 
do que jamais pudeste imaginar.
Se não podes ver na escuridão, 
meus uivos vão dizer-te, eu sou
Um prisioneiro de sangue, 
da cova fria, um amante,
uma criatura do silêncio.
Deixa-me tomar 
o caminho certo para as tuas veias
e sejas minha companheira, 
noite após noite
durante toda a eternidade,
até que a morte nos uma.

16. Que piada de mau gosto!
(vinheta)

Quando eu vi que piada de mau gosto era o mundo,
Eu preferi ficar louco
Eu admito!

17. I got a blues feeling about this

18. Vovó já vai

Senhoras e senhores,
É com imenso pesar (Foi um prazer…)
Que temos que lhes informar
O show já está para terminar (…estar com vocês!)

Já chegou a hora 
de ir embora
Tem que ser agora
porque lá fora

A madrugada já vem
Anunciando o alvorecer
Um novo dia já vem
Pra mim e pra você
(Pra todo mundo!)

Pra casa, vocês não precisam ir
Mas aqui é que não podem ficar
Porque já passou da nossa hora de cantar
Canta pra subir!

Vovó já vai, já vai pra Aruanda
Vovó já vai, já vai pra Aruanda
Vovó já vai, já vai pra Aruanda
Vovó já vai, já vai pra Aruanda

A bença, vovó
Proteção pra nossa banda!
A bença, vovó
Proteção pra nossa banda!

Vovó já vai, já vai pra Aruanda
Vovó já vai, já vai pra Aruanda
Vovó já vai, já vai pra Aruanda
Vovó já vai, já vai pra Aruanda

Vovó já foi, já foi pra Aruanda
Vovó já foi, já foi pra Aruanda
Vovó já foi, já foi pra Aruanda
Vovó já foi, já foi pra Aruanda

19. Para-noia-para

Eu vi uma porta aberta no céu
Vinte e quatro tronos com vinte e quatro anciões
Eu vi um livro selado com sete selos
Escrito por dentro e por fora
Um cordeiro com sete chifres e sete olhos
Os quatro cavaleiros do apocalipse
E o quarto chamava-se Morte 
E o inferno seguia com ele
O sol tornou-se negro e a lua como sangue
As estrelas caíram sobre a terra
Eu vi abrir-se o sétimo selo
E fez-se silêncio no céu
Eu vi sete anjos com sete trombetas
As sete trombetas foram tocadas
E toda erva verde foi queimada
Eu vi um grande sinal no céu
Uma mulher vestida de sol e com a lua aos seus pés
Sofrendo tormentos para dar a luz a um varão
Que há de reger todas as nações com vara de ferro
E viu-se um outro sinal no céu
Um dragão vermelho de sete cabeças e dez chifres
O anjo do abismo, em hebraico Abadom, em grego Apoliom
A antiga serpente que se chama Diabo e Satanás
E houve guerra no céu
Miguel e seus anjos batalhavam contra o dragão
E o dragão e seus anjos foram precipitados na terra
E toda a terra maravilhou-se, seguindo a Besta
Aquele que tem o entendimento, calcule o seu número
Pois é um número humano
E o seu número é seiscentos e sessenta e seis
Eu vi o céu aberto
E eis um cavalo branco
E o que estava sentado nele 
Chama-se Fiel e Verdadeiro, 
E julga a peleja com justiça. 
E vi um anjo em pé no sol
E a besta foi presa e lançada no lago de fogo e enxofre
A segunda morte
E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida
Foi lançado no lago de fogo
Vi um novo céu e uma nova terra
A queda da grande Babilônia
A santa cidade, a nova Jerusalém

Para-noia-para
Para-noia-para
Paranoia para você e pra mais ninguém

Para-noia-para
Para-noia-para
Paranoia para você e pra você também

Quem é injusto, faça injustiça ainda
Quem é sujo, suje-se ainda
Quem é justo, faça justiça ainda
Quem é santo, santifique-se ainda

Eu sou o Alfa e o Ômega
O primeiro e o derradeiro
O princípio e o fim

Para-noia-para
Para-noia-para
Para-noia-para
Para-noia-para

A graça do Senhor Jesus esteja com todos

20. Tinha dois caras no hospício

Apesar da vida ser um mar de rosas, 
você caiu nos espinhos. Música, Sam!

Quando tudo der errado na Terra
E toda manchete for incerta
Tudo for fome, morte e guerra
E a vida ruir

Então existe algo a fazer
Que eu devo ensinar a você
Que é garantido lhe fazer
Sempre sorrir

Eu fico louco 
Como uma mariposa atraída pelo neon
Simplesmente louco, 
Gargalhando sem sentido, como é bom

Senhor, a vida é uma piada 
Numa cela acolchoada
Você esquecerá toda agonia
Troque seu suplício 
Por um quarto no hospício
E injeções duas vezes por dia

Apenas louco 
Como uma ácida dimensão
Ou um porco 
Ou um pastor na televisão

Quando a humana raça 
Perder toda a sua graça
E as bombas começarem a cair
E se seu filho ficar azul, 
Não há problema algum
Você sorri e não está nem aí

Quando você é louco 
Você não liga para o que foi dito
O homem é tão pouco 
E o universo é tão infinito

Se você se magoar 
É bom se certificar
E se a vida te sugar até o suco
Não fique mais triste, fique maluco

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